Vou abordar aqui o tema do momento, a "modinha". Vou abordar a "dieta paleolítica".
Primeiro, um pouquinho de historia pra vocês: A dieta paleolítica, ou paleodieta, é uma dieta contemporânea, porém baseada na dieta de nossos ancestrais, que se alimentavam à base de alimentos naturais de fonte animal e vegetal, certo? A ideia é comer somente aquilo que é possível caçar e/ou matar, colher ou tirar da terra, como um típico homem das cavernas. O mentor dessa dieta é o americano Loren Cordain, que é médico e professor da Universidade de Colorado (EUA).
Existe um médico que sustenta a ideia de que a agricultura é muito recente, do ponto-de-vista evolutivo, porém nossa genética é adaptada à alimentação do período paleolítica. Eis o blog dele abaixo. Leiam e comentem aqui no meu blog o que acharam das posições dele referentes à dieta paleolítica:
http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2012/01/trigo-nosso-maior-inimigo.html
As regras para aderir à dieta paleolítica são:
- Carne à vontade;
- Jejuns prolongados;
- Restrição de massas, grãos e óleos extraídos;
- Restrição de leite e derivados;
- Legumes e frutas à vontade;
- Gorduras à vontade;
- Industrializados são proibidos, inclusive suplementos;
- Água e nada mais.
Vamos identificar agora os prós e contras. Prós: o aumento no consumo de vegetais, frutas, gorduras "boas", e o abandono aos alimentos industrializados (inclusive de refrigerantes e bebidas alcoólicas).
Agora vamos identificar os "contras": essa dieta libera o consumo de carne "a lá vontê". Isso é maléfico, pois a proteína, se consumida em excesso, causa efeitos colaterais, como a retirada do cálcio dos ossos, a acidificação do sangue e a sobrecarga dos rins. Essa sobrecarga se dá por causa da desaminação (retirada do grupamento amina -NH3+ de um aminoácido, o qual é convertido em amônia e uréia no fígado. Aula de bioquímica na 'facul', lembram-se, rsrs). A uréia, se produzida em grande quantidade dentro do corpo, leva você à desidratação, já que a uréia estará em grande quantidade no sangue e será eliminada através da urina (xixi para os mais íntimos) e, sendo assim, será solubilizada em água. Com isso, uma maior quantidade de água é perdida na urina. Só essa primeira avaliação já te mostra quão perigoso é comer proteína "a lá vontê".
O que não for utilizado para síntese, propiciam substratos para a geração da neoglicogênese ou são transformados em moléculas de triacilgliceróis para armazenamento dos adipócitos (o famosérrimo acúmulo de gordura). Viu a contradição quando se diz que a dieta paleolítica emagrece?
Pois bem, agora vou meter o pau no jejum prolongado. Já começo dizendo que nosso organismo é dependente, sim, de quantidades constantes de glicose para sobreviver.
Vamos começar falando do fígado e o jejum. A primeira fonte de energia usada são os carboidratos e, para tanto, reservas de glicogênio no fígado são degradadas fornecendo glicose, e esse processo se chama glicogenólise. A glicose resultante é liberada no sangue e abastece o cérebro, além dos demais tecidos que precisam desse substrato. Belezinha? Agora vamos entender a relação entre o tecido adiposo e o jejum. Os produtos da quebra do triacilglicerol são ácidos graxos e glicerol. Enquanto os primeiros são liberados no sangue e transportados para diversos tecidos servindo como fonte de energia. o último é usado pelo fígado para produzir glicogênio através da neoglicogênese, mencionada anteriormente por mim.
Agora vamos relacionar músculo e jejum. Até as duas primeiras semanas de jejum, o músculo utiliza como fonte de energia os ácidos graxos e os corpos cetônicos, uma vez que a quantidade de glicose e insulina para transportá-la são insuficientes nesse momento. No entanto, após esse período, os músculos passam a usar mais ácidos graxos e os corpos cetônicos ficam lá "panguando" no sangue, por deixarem de ser empregados lá no músculo. Certo?
E devido a grande necessidade do fígado em formar glicogênio e salvar a sobrevivência da criatura que está fazendo greve de fome pra emagrecer, a massa muscular dessa criatura sofre uma grade redução, e depois de severas semanas em jejum, a degradação de proteínas no músculo diminui, já que o cérebro passa a usar mais corpos cetônicos, não necessitando de glicose.
Alterações fisiológicas no jejum: redução acentuada de gordura corpórea, aumento dos ácidos graxos e da glicose circulantes no sangue, perda brusca de massa muscular e diminuição do número de células de defesa imunológica, bem como também a redução da quantidade de vitaminas.
Ah, e ainda falta falar das manifestações clínicas que ocorrem praticando greve de fome para emagrecer: sensação de fraqueza, anemia, inchaço, maior suscetibilidade à infecções, comprometimento da fase alimentar, intolerância a alimentos, alteração do humor com acentuada irritabilidade, mau hálito, e por aí vai...
E se mantiver a greve de fome pode entrar em óbito, havendo falência múltipla dos órgãos. Só isso, besteirinha.
No jejum prolongado, minha gente, temos como metabólitos (produto do metabolismo), o ácido úrico, a uréia e a amônia, que são compostos tóxicos e que levam a sobrecarga renal e hepática.
Eu não acho, particularmente, que a dieta paleolítica seja uma dieta do demônio, cheia de coisas erradas. Mas alguns princípios "modernos" deturpam a ideia que tem até um princípio bom, mas é aplicada de maneira equivocada pelos "black blocs paleolíticos", que defendem com unhas e dentes a paleodieta, sem usar o intelecto para identificar prós e contras. Eu vou voltar nesse assunto, só quis dar um pincelada básica pra elucidar o assunto para a galera e dar uma introdução para futuras postagens. Segue abaixo uma entrevista do criador da dieta para a revista Super Interessante. Leiam, é interessante. Tirem suas conclusões e se quiserem comentem aqui no blog. Saudações a todos UGA UGA.
http://super.abril.com.br/alimentacao/dieta-paleolitica-720992.shtml

"pois a proteína, se consumida em excesso, causa efeitos colaterais, como a retirada do cálcio dos ossos,"<- Já se mostrou que não é isso. A proteína aumenta a absorção intestinal de cálcio. O aumento de cálcio na urina deve-se a essa absorção aumentada, e não vem dos ossos, como se imaginava há décadas atrás. Checaram isso com isótopos de Ca, em alguns estudos.
ResponderExcluirE para reflexão sobre o resto do artigo, se ele for realmente verdadeiro, será que essa pessoa que ficou em jejum por 382 dias teria sobrevivido ? http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2495396/pdf/postmedj00315-0056.pdf
ResponderExcluirTriste perceber que gente que suportamente teria conhecimento da área acredita piamente em mitos como o que a proteína diminuiria o cálcio nos ossos, só porque aprendeu assim. Mais triste ainda é que essas pessoas vão "ensinar" outras pessoas, que também não vão consultar as referências cientificas, e todos ficam falando mitos como papagaios. Para quem se interessar por ciência, sugiro a leitura: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21102327
ResponderExcluirPerda óssea por proteínas? Onde? Como? Não existe mais sistema tampão?
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