quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

BORA FALAR SOBRE HIPERLIPIDEMIAS?

Bom, bom, bom... na verdade as hiperlipidemias são erros nas velocidades de síntese e depuração de lipoproteínas no sangue, ou seja, as hiperlipidemias são disfunções metabólicas que ocorrem quando níveis de lipídios circulantes estão aumentados na corrente sanguínea.

A discussão de ordem da hiperlipidemia como problema de saúde pública grave está na sua relação com as doenças cardiovasculares, principalmente o acidente vascular cerebral e a aterosclerose — razões importantes de morte e incapacidade física, com repercussões importantes nos custos da assistência médica no Brasil que é deficitária.
As hiperlipidemias geralmente são dectectadas por medidas de colesterol e triacilglicerol plasmáticos, e são classificadas com base na taxa de lipoproteína elevada.

Hiperlipidemia tipo I (hiperquilomicronemia familiar) deve-se ao acúmulo de quilomícrons. O Tipo I deve-se a a deficiência da Enzima Lipoproteína Lipase e da Apolipoproteína C-II, componente dos quilomícrons. Pacientes com Tipo I apresentaram taxas elevadíssimas de triacilglicerol plasmático (acima de 1000 mg/dL), e sofrem de xantomas eruptivos (depósitos amarelados de triacilglicerol na pele) e pancreatite. Tanto o colesterol como os triglicérides devem ser mantidos em valores inferiores a 200 mg/dl (miligramas por decilitro) de sangue. Altos níveis de triglicérides, além das doenças cardiovasculares, podem também causar inflamação do pâncreas (pancreatite) com sua consequente falência, o que pode comprometer a produção de insulina e levar o paciente a sofrer de diabetes.

Xantomas:




Hiperlipidemia tipo II (hipercolesterolemia familiar) caracteriza-se por níveis elevados de LDL. Essencialmente, o tipo II deve-se a um defeito na síntese, função ou processamento do RECEPTOR de LDL presente nos tecidos. O Tipo II, provoca uma ateriosclerose acelerada e morte prematura, em geral de enfarte do miocárdio. Ainda, os depósitos de gorduras formam aglomerados (xantomas) nos tendões e na pele. O tratamento orienta-se para evitar os fatores de risco, tais como o tabaco e a obesidade, além de reduzir os valores de colesterol no sangue com medicamentos, seguir uma dieta que contenha poucas ou quase nada de gordura, especialmente gorduras saturadas e colesterol, e fazer exercícios, sob orientação de um profissional da área. 


Hiperlipidemia tipo III deve-se a anormalidades da Apolipoproteína E (ApoE), interferindo na captação das Lipoproteínas quilomícrons e remanescentes de VLDL. A Tipo III é uma pertubação que conduz a valores elevados de VLDL-colesterol e triglicéridos plasmáticos. Os pacientes com a Tipo III  apresentam colesterol na sua maior parte proveniente da VLDL. Estes indivíduos têm com frequência diabetes ligeira e valores elevados de ácido úrico no sangue. Ainda, existe uma relação bem curiosa: Hipotireoidismo pode produzir uma hiperlipidemia muito semelhante a Tipo III. Como de costume, pacientes com a Tipo III tem risco aumentado de aterosclerose.

E ainda tem a "Hiperlipidemia Combinada Familiar (HCF)", que é a forma mais comum de hiperlipidemia familar, caracterizando-se por resistência à insulina, níveis baixos de HDL-C, níveis altos de triacilgliceróis (TGC) e colesterol total associados a vários fenótipos dentro da mesma família. Complicado, não acha?

A HCF associa-se, também, a um alto risco cardiovascular (RCV), e os níveis-alvo de tratamento destas anormalidades lipídicas tem se alterado recentemente.

Voltando a falar da associação entre a hiperlipidemia e o hipotireoidismo, tem um artigo muito interessante que vocês podem dar uma "bizoiada". Ele foi publicado por cardiologistas. Eis o artigo, meus amados: http://publicacoes.cardiol.br/abc/2001/7602/7602003.pdf

Ahhh, e ainda tem a hiperlipidemia tipo IV, que é a anomalia mais comum. Os níveis de VLDL são aumentados essencialmente devido à obesidade, abuso do álcool e/ou diabetes. O Tipo IV  provoca valores altos de triglicéridos plasmáticos. Essa desodem no organismo pode aumentar o risco de desenvolvimento da ateriosclerose. É benéfico reduzir o peso, controlar a diabetes e evitar o consumo de álcool. Além disso, a administração de medicamentos para controlar os níveis de lipídios circulantes é essencial neste caso, do ponto de vista médico. Como nutricionista, cá entre nós, ainda assim prefiro um tratamento funcional, confiando piamente na alimentação, tanto de forma preventiva quanto curativa. Claro, nunca negligenciando exames e o estado atual do paciente. Dependendo do que for coletado de informações em exames, devemos intervir sim com medicamentos. O problema é que boa parte dos médicos sempre colocam o tratamento farmacológico como prioridade, em qualquer caso. Mas enfim...

Eis abaixo alguns artigos que tratam sobre a hiperlipidemia. Voltarei em um próximo post para falar sobre esse assunto. E tenho dito.






Textbook of Biochemistry with Clinical Correlations – Thomas M. Devlin

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