terça-feira, 21 de janeiro de 2014

BORA FALAR SOBRE A ATEROSCLEROSE?

Bom, galera, agora vou falar um pouco de doenças relacionadas ao acúmulo de lipídios no organismo. Dentre várias, uma das mais conhecidas pela população é a aterosclerose. 

Então, a aterosclerose é um doença crônica e degenerativa que acarreta a obstrução de vasos que levam o sangue do coração para os tecidos, as artérias. Essa obstrução acontece pelo acúmulo de alguns lipídios, principalmente o colesterol, nas paredes dos vasos sanguíneos. Resumidamente, a aterosclerose pode causar danos ou morte a órgãos importantes, principalmente, pela deficiência da irrigação arterial nesses órgãos.

Vamos discutir agora como se dá a formação da placa aterosclerótica. Para entender isso, é importante você saber priemiramente que a doença é resultado de uma resposta inflamatória no organismo, certo?. Dessa forma, para que a inflamação ocorra, é necessário que haja uma lesão, mesmo que minúscula, em alguma artéria. 

Marcelo, o que causa essa lesão? (cara de paisagem...). Bem, vários são os fatores. De cara já podemos pensar na famosa "pressão alta". A pressão alta aumenta a agressão da parede do vaso por aumentar o atrito do sangue com este. Outro fator importante é a diabetes. O excesso de glicose no sangue é associado à formação de lesões. O próprio acúmulo de LDL, quilomícrons e VLDL no sangue se apresenta como uma das formas de se formar lesões. Está conseguindo entender? Se não, grita!

Vamos lá, a formação dessas lesões estimula uma resposta inflamatória do organismo. Um dos primeiros passos dessa resposta é o aumento da permeabilidade da parede arterial às moléculas de LDL. Com isso as moléculas de LDL se aderem a parede e acabam sofrendo oxidação. O que é oxidação, Marcelo? Eu esqueci!! (rosto de triste...).

A oxidação ocorre quando o elemento perde elétrons e o seu número de oxidação (Nox) aumenta. Grande parte do oxigénio que inalamos serve para produzir energia para o organismo. No entanto, uma pequena percentagem desse oxigénio produz radicais livres, e isso ocorre por causa da oxidação e...enfim, farei uma matéria sobre oxidação breve, breve.

Essas moléculas por si só já começam o processo de bloqueamento dos vasos, mas não seriam suficientes sozinhas para a formação de uma placa aterosclerótica. Então, o que acontece para que a placa cresça e comece a causar problemas? Eu digo.

As artérias afetadas pela aterosclerose perdem elasticidade nas suas paredes, conduzindo a um estado de rigidez nesses vasos sanguíneos. Quanto maior o acúmulo de gordura nas placas, mais as artérias estreitam-se. 

Bem, o LDL oxidado sofre modificações moleculares e acaba expondo novas partes da molécula. Essas partes são imunogênicas e favorecem a aderência de outros tipos de moléculas, as moléculas de adesão leucocitária. 

Já deu pra perceber o que vai acontecer agora né? Adesão Leucocitária! Monócitos são atraídos por essas moléculas de adesão leucocitária e se tornam macrófagos, que fagocitam esses lípides oxidados e se transformam em células espumosas, que são a principal característica de formação da placa aterosclerótica.  

Além desse efeito da inflamação, ainda há outro problema que as células espumosas causam para o aumento da placa aterosclerótica. Ela estimula que tecido muscular do vaso sanguíneo se multiplique sobre a lesão e deposite matriz extracelular nessa. Esse processo cobre a placa de colágeno e cálcio, o que aumenta ainda mais seu volume. Por outro lado isso pode ser também responsável por estabilizar a placa aterosclerótica. 

Bem, existem três tipos de problemas que a aterosclerose pode causar e existem dois tipos de aterosclerose.  

Primeiramente, a inflamação pode ser colocada sobre controle, as LDL oxidadas são bloqueadas por uma camada de lipídeo e a lesão se torna simplesmente parte do endotélio, sendo contida por ele. Nesse caso a aterosclerose é completamente assintomática e não causa problema algum para a saúde.

A outra possibilidade também envolve placas estáveis. A diferença é que dessa vez apesar da placa ter uma capa fibrosa suficiente para estabilizar a placa aterosclerótica em uma posição, essa placa cresce muito. Esse grande crescimento causa bloqueio de alguma artéria. Com isso geralmente há dor local intensa no local da lesão, o que sinaliza a existência de um problema. 

A última e mais perigosa possibilidade é a formação de uma placa instável que pode se soltar. Essa parte solta da placa se chama trombo, e é capaz de bloquear alguma artéria após se soltar do endotélio. Esse tipo de aterosclerose é mais perigoso que o segundo pois é assintomático. O trombo pode obstruir repentinamente algum vaso que irriga determinado membro e causar a necrose deste, antes de alguma resposta medica. Outra possibilidade, mais perigosa ainda, é que esse trombo obstrua uma artéria vital, como as coronárias ou alguma artéria cerebral. Esse tipo de obstrução causam os famosos ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais, que são as grandes causas de morte da atualidade. Veja no gráfico de causas de morte que as doenças cardiovasculares são o principal problemas, e dentro delas as coronarianas e cerebrais são os principais vilões. 


Pra exemplificar, vamos ver como funciona o infarto do miocárdio (músculo do coração). Ele pode ocorrer com o rompimento das placas de ateromas. Por que? Bom, também por uma resposta imunológica do organismo. O conteúdo interior das placas, com o rompimento, ganha a o contato com o sangue que logo induz à coagulação sanguínea. Assim, com a coagulação sanguínea ocorre uma maior obstrução do vaso, que pode chegar a obstrução total, e acarreta no infarto do miocárdio, se eventualmente o vaso sanguíneo obstruído for um dos vasos que nutre o coração.


A aterosclerose não produz qualquer tipo de sintoma clínico-físico até que ocorra uma grande ou total obstrução de uma ou mais artérias. Um derrame cerebral (AVC) pode ser efetuado se ocorrer a obstrução de artérias que irrigam o cerébro. Assim, os sintomas ou eventos finais dependem de qual artéria está sendo obstruída. É uma roleta-russa, né ? Imagine aí quantos caminhos / artérias existem no corpo humano, o sorteio do local escolhido para o crescimento da placa de ateroma é irreal mas existente (momento confuso – reflita). 

Por isso, tente baixar suas chances de GANHAR um acúmulo de gordura e formação de placas ateromicas ( eu acho que o sorteio é a pessoa que faz ).

Baixe o nível de colesterol no sangue, ingerindo alimentos mais saudáveis e menos gordurosos (tentação). Combata a pressão arterial alta com menor ingestão de SAL (sódio). P-A-R-E de fumar. Diga não à obesidade. Faça exercícios regurlamente dentro do seu perfil físico necessário, não adianta morrer de fazer exercícios de uma vez só, procure orientação profissional. Evite alimentos que ajudem na produção de colesterol no sangue, alimentos de origem animal, como carnes e derivados, leites e derivados, etc. Faça uma alimentação mais saudável com frutas, legumes e verduras.

Enfim, vimos nesse post que a aterosclerose se inicia com o acumulo de LDL e que altas concentrações dessa lipoproteína e de lipídeos no sangue são determinantes na gravidade do caso. Isso nos leva a entender os problemas de altas concentrações de LDL e o efeito protetor de altas concentrações de HDL, que consegue retirar colesterol de células, do sangue e até mesmo de placas aterosclerótica.

A fim de se evitar a doença, é recomendada a ingestão de uma dieta balanceada e harmoniosa, onde a necessidade de lipídeos seja suprida, porém obtendo-os principalmente na forma de óleos (origem vegetal), os quais contêm ácidos graxos insaturados. Há estudos que indicam que a ingestão de ácidos graxos saturados está relacionada com o aumento do nível do colesterol total e LDL, enquanto os ácidos graxos insaturados tem o efeito contrário. Apesar de a mídia sempre veicular que o colesterol é prejudicial ao organismo, há uma necessidade diária que precisa ser suprida, pois, por exemplo, a síntese de Vitamina D é feita a partir de colesterol.

Quer reeducar sua alimentação? Quer adiar a visita ao além? Procure um(a) nutricionista e cuide já da saúde. E tenho dito.


Referências:

Diretriz Brasileira de Dislipidemias:http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/programas/Diretriz_Brasileira_Dislipidemias_Aterosclerose.pdf

J. E. Dutra-de-Oliveira. Ciências Nutricionais – Aprendendo a Aprender. 2ª Edição.
Lehninger. Principles of Biochemistry – Fourth Edition.
Maurice E. Shils – Tratado de Nutrição Moderna na Saúde e na Doença. 9ª Edição.



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