Bom, galera, agora vou falar um pouco de doenças relacionadas ao acúmulo
de lipídios no organismo. Dentre várias, uma das mais conhecidas pela população é a
aterosclerose.
Então, a aterosclerose é um doença crônica e degenerativa que acarreta a
obstrução de vasos que levam o sangue do coração para os tecidos, as
artérias. Essa obstrução acontece pelo acúmulo de alguns lipídios,
principalmente o colesterol, nas paredes dos vasos sanguíneos.
Resumidamente, a aterosclerose pode causar danos ou morte a órgãos
importantes, principalmente, pela deficiência da irrigação arterial
nesses órgãos.
Vamos discutir agora como se dá a formação da placa aterosclerótica.
Para entender isso, é importante você saber priemiramente que a doença é
resultado de uma resposta inflamatória no organismo, certo?. Dessa forma, para
que a inflamação ocorra, é necessário que haja uma lesão, mesmo que
minúscula, em alguma artéria.
Marcelo, o que causa essa lesão? (cara de paisagem...). Bem, vários são os fatores. De cara já podemos
pensar na famosa "pressão alta". A pressão alta aumenta a agressão da parede do
vaso por aumentar o atrito do sangue com este. Outro fator importante é a
diabetes. O excesso de glicose no sangue é associado à formação de
lesões. O próprio acúmulo de LDL, quilomícrons e VLDL no sangue se
apresenta como uma das formas de se formar lesões. Está conseguindo entender? Se não, grita!
Vamos lá, a formação dessas lesões estimula uma resposta inflamatória do organismo.
Um dos primeiros passos dessa resposta é o aumento da permeabilidade da
parede arterial às moléculas de LDL. Com isso as moléculas de LDL se
aderem a parede e acabam sofrendo oxidação. O que é oxidação, Marcelo? Eu esqueci!! (rosto de triste...).
A oxidação ocorre quando o elemento perde elétrons e o seu número de oxidação (Nox) aumenta. Grande parte do oxigénio que inalamos serve para produzir energia para o
organismo. No entanto, uma pequena percentagem desse oxigénio produz
radicais livres, e isso ocorre por causa da oxidação e...enfim, farei uma matéria sobre oxidação breve, breve.
Essas moléculas por si só já começam o processo de bloqueamento dos
vasos, mas não seriam suficientes sozinhas para a formação de uma placa
aterosclerótica. Então, o que acontece para que a placa cresça e comece a
causar problemas? Eu digo.
As artérias afetadas pela aterosclerose perdem elasticidade nas suas
paredes, conduzindo a um estado de rigidez nesses vasos sanguíneos.
Quanto maior o acúmulo de gordura nas placas, mais as artérias
estreitam-se.
Bem, o LDL oxidado sofre modificações moleculares e acaba expondo novas
partes da molécula. Essas partes são imunogênicas e favorecem a
aderência de outros tipos de moléculas, as moléculas de adesão
leucocitária.
Já deu pra perceber o que vai acontecer agora né? Adesão Leucocitária!
Monócitos são atraídos por essas moléculas de adesão leucocitária e se
tornam macrófagos, que fagocitam esses lípides oxidados e se transformam
em células espumosas, que são a principal característica de formação da
placa aterosclerótica.
Além desse efeito da inflamação, ainda há outro problema que as células
espumosas causam para o aumento da placa aterosclerótica. Ela estimula
que tecido muscular do vaso sanguíneo se multiplique sobre a lesão e
deposite matriz extracelular nessa. Esse processo cobre a placa de
colágeno e cálcio, o que aumenta ainda mais seu volume. Por outro lado
isso pode ser também responsável por estabilizar a placa
aterosclerótica.
Bem, existem três tipos de problemas que a aterosclerose pode causar e existem dois tipos de aterosclerose.
Primeiramente, a inflamação pode ser colocada sobre
controle, as LDL oxidadas são bloqueadas por uma camada de lipídeo e a
lesão se torna simplesmente parte do endotélio, sendo contida por ele.
Nesse caso a aterosclerose é completamente assintomática e não causa
problema algum para a saúde.
A outra
possibilidade também envolve placas estáveis. A diferença é que dessa
vez apesar da placa ter uma capa fibrosa suficiente para estabilizar a
placa aterosclerótica em uma posição, essa placa cresce muito. Esse
grande crescimento causa bloqueio de alguma artéria. Com isso geralmente
há dor local intensa no local da lesão, o que sinaliza a existência de
um problema.
A última e mais perigosa
possibilidade é a formação de uma placa instável que pode se soltar.
Essa parte solta da placa se chama trombo, e é capaz de bloquear alguma
artéria após se soltar do endotélio. Esse tipo de aterosclerose é mais
perigoso que o segundo pois é assintomático. O trombo pode obstruir
repentinamente algum vaso que irriga determinado membro e causar a
necrose deste, antes de alguma resposta medica. Outra possibilidade,
mais perigosa ainda, é que esse trombo obstrua uma artéria vital, como
as coronárias ou alguma artéria cerebral. Esse tipo de obstrução causam
os famosos ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais, que são
as grandes causas de morte da atualidade. Veja no gráfico de causas de
morte que as doenças cardiovasculares são o principal problemas, e
dentro delas as coronarianas e cerebrais são os principais vilões.
Pra exemplificar, vamos ver como funciona o infarto do miocárdio (músculo
do coração). Ele pode ocorrer com o rompimento das placas de ateromas.
Por que? Bom, também por uma resposta imunológica do organismo. O
conteúdo interior das placas, com o rompimento, ganha a o contato com o
sangue que logo induz à coagulação sanguínea. Assim, com a coagulação
sanguínea ocorre uma maior obstrução do vaso, que pode chegar a
obstrução total, e acarreta no infarto do miocárdio, se eventualmente o
vaso sanguíneo obstruído for um dos vasos que nutre o coração.
A aterosclerose não produz qualquer tipo de sintoma clínico-físico até
que ocorra uma grande ou total obstrução de uma ou mais artérias. Um
derrame cerebral (AVC) pode ser efetuado se ocorrer a obstrução de
artérias que irrigam o cerébro. Assim, os sintomas ou eventos finais
dependem de qual artéria está sendo obstruída. É uma roleta-russa, né ? Imagine aí quantos caminhos / artérias existem no corpo humano, o sorteio
do local escolhido para o crescimento da placa de ateroma é irreal mas
existente (momento confuso – reflita).
Por isso, tente baixar suas chances de GANHAR um acúmulo de gordura e formação de
placas ateromicas ( eu acho que o sorteio é a pessoa que faz ).
Baixe o nível de colesterol no sangue, ingerindo alimentos mais
saudáveis e menos gordurosos (tentação). Combata a pressão arterial alta
com menor ingestão de SAL (sódio). P-A-R-E de fumar. Diga não à
obesidade. Faça exercícios regurlamente dentro do seu perfil físico
necessário, não adianta morrer de fazer exercícios de uma vez só,
procure orientação profissional. Evite alimentos que ajudem na produção
de colesterol no sangue, alimentos de origem animal, como carnes e
derivados, leites e derivados, etc. Faça uma alimentação mais saudável
com frutas, legumes e verduras.
Enfim, vimos nesse post que a aterosclerose se inicia com o acumulo de
LDL e que altas concentrações dessa lipoproteína e de lipídeos no sangue
são determinantes na gravidade do caso. Isso nos leva a entender os
problemas de altas concentrações de LDL e o efeito protetor de altas
concentrações de HDL, que consegue retirar colesterol de células, do
sangue e até mesmo de placas aterosclerótica.
A fim de se evitar a doença, é recomendada a ingestão de uma
dieta balanceada e harmoniosa, onde a necessidade de lipídeos seja suprida,
porém obtendo-os principalmente na forma de óleos (origem vegetal), os quais
contêm ácidos graxos insaturados. Há estudos que indicam que a ingestão de ácidos
graxos saturados está relacionada com o aumento do nível do colesterol total e
LDL, enquanto os ácidos graxos insaturados tem o efeito contrário. Apesar de a
mídia sempre veicular que o colesterol é prejudicial ao organismo, há uma
necessidade diária que precisa ser suprida, pois, por exemplo, a síntese de
Vitamina D é feita a partir de colesterol.
Quer reeducar sua alimentação? Quer adiar a visita ao além? Procure um(a) nutricionista e cuide já da saúde. E tenho dito.
Referências:
Diretriz Brasileira de Dislipidemias:http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/programas/Diretriz_Brasileira_Dislipidemias_Aterosclerose.pdf
J. E. Dutra-de-Oliveira. Ciências Nutricionais – Aprendendo a Aprender. 2ª Edição.
Diretriz Brasileira de Dislipidemias:http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/programas/Diretriz_Brasileira_Dislipidemias_Aterosclerose.pdf
J. E. Dutra-de-Oliveira. Ciências Nutricionais – Aprendendo a Aprender. 2ª Edição.
Lehninger.
Principles of Biochemistry – Fourth Edition.
Maurice E. Shils – Tratado de Nutrição Moderna na Saúde e na
Doença. 9ª Edição.



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