quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

BORA FALAR SOBRE NUTRIGENÔMICA?



Sem dúvidas, o sequenciamento do genoma humano foi um marco na história das descobertas científicas. 

Foi possível identificar dentro do genoma variações em sequências que eram relacionadas à doenças.

Mutações em alguns genes ou suas sequências regulatórias podem levar ao surgimento de doenças, como cânceres e a fibrose cística. No entanto, apesar da grande expectativa sob o sequenciamento do genoma humano na cura destas doenças, a obtenção da sequência do nosso genoma se mostrou o primeiro passo para o melhor entendimento de como a maquinaria celular funciona e no desenvolvimento de drogas mais eficazes e melhores direcionadas. E isso ocorreu devido à compreensão de que o proteôma  (conjunto de proteínas de um ser vivo expressas em um dado momento), e o transcriptoma (conjunto de RNAs de um organismo transcritos em um dado momento) desempenham o maior papel na regulação nas funções de nosso organismo.

O mapeamento genético realizado no projeto Genoma Humano foi fundamental no fornecimento de ferramentas e informações acerca dos aspectos genéticos, sobretudo entre os genes e os compostos dos alimentos, como os nutrientes e os compostos bioativos, que possibilitou o surgimento de 2 novas ciências de importante relevância: a nutrigenômica e a nutrigenética.


 A nutrigenômica se refere ao estudo de como tais compostos atuam na modulação da expressão gênica, enquanto a nutrigenética estuda o efeito da variação genética na interação entre a dieta e a doença, identificando os genes responsáveis por diferentes respostas para com a dieta. Certo até aqui?! Pois bem...

Falando de futuro e brincando de mãe Dinah (só que as minhas possibilidades de erro são quase nulas, rsrsrs), com base em informações do genoma, será possível criar dietas personalizadas. Isso mesmo!!!

E assim poderemos prevenir possíveis doenças que poderiam surgir no futuro. Imagine aí sentado em frente ao computador (momento viagem): Você, como nutricionista (caso o leitor o seja), solicita ao paciente testes genéticos, e depois, com os resultados em mãos, avalia como os alimentos modificam a expressão dos genes ali descrita e como o genoma coordena a resposta do organismo do paciente ao que come. Com base nesta análise, é possível determinar cada item que irá compor o cardápio do paciente.

O cenário fictício que criei configura, de fato, o objetivo da nutrigenômica e da nutrigenética. Os estudos ainda estão em fase inicial, mas o intuito de nós, pesquisadores, é a prevenção de doenças como câncer, diabetes e problemas cardiovasculares. Será fantástico! Poderemos estabelecer intervenções nutricionais totalmente personalizadas, podendo então reduzir os riscos de doenças, associando à atividade física, facilitando o prolongamento da vida.

A USP e também fiquei sabendo que a UNICAMP pesquisam amplamente a obesidade e o impacto da nutrição no período de gestação sobre as crianças. A grande expectativa é que se possa identificar com exatidão todos os genes que acarretam as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e sua relação com os nutrientes, utilizando-os para prevenção.

Fiquei sabendo que foi enviado da Holanda para o Instituto de Química um estudo sobre o gene MMP2, que faz com que a mulher tenha maior facilidade em engordar que os homens. É claro que não se pode colocar toda a culpa em cima dos genes pelo acumulo de peso nas mulheres. Mas ainda não sei muito a respeito, vou ver se me intero mais sobre o assunto, pois é novidade.

Outra coisa que se fala nos corretores do Instituto de Química aqui é sobre um projeto criado em Londres. não lembro o nome da Universidade, que se chama Diagnóstico Pré Implantacional (DPI), que permite escanear o DNA dos embriões com poucos dias de vida retirando uma célula deles. Parece que vai dar pra escolher até mesmo o sexo da criança, além de isolar possíveis genes que possam ter tendência a sofrer mutações em alguma fase da vida. Cito, como exemplo, o gene BRCA1, que pode desenvolver futuramente o câncer de mama. 

E assim as pesquisas prosseguem. Fiquei sabendo que já é possível evitar manifestações clínicas de certos males como, por exemplo, a espinha bífida. A espinha bífida é um grave defeito na formação do tubo neural que gera muita mortalidade infantil, que impede o fechamento total da coluna vertebral e quando essa "parada" acontece, o tecido nervoso sai por um orifício e forma uma protuberância mole deixando a medula óssea desprotegida. Essa grave doença pode ser evitada sabe como? Suplementando a farinha de trigo, o ácido fólico e as vitaminas do complexo B. Legal, né?!

O futuro nos promete perspectivas inovadoras na maneira de se propor recomendações nutricionais, que passam a ser ainda mais individualizadas, de acordo com as necessidades específicas de cada pessoa, influenciadas pelas características genéticas.

Logo, logo, volto ao assunto. Espero ter contribuído um pouco com minha pequena experiência em laboratório AINDA, rsrsrs. Belezinha?

Artigos:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732010000600001&lng=en&nrm=iso

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-52732008000600014&lang=pt


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